Reportagem do Diário do Nordeste de 30 de setembro de 2007
A cozinha natural tem sido uma opção para aqueles que desejam alimentar-se saudavelmente
Alimentação é um assunto não tão fácil de discutir, talvez, devido a infinidade de opções disponíveis no mercado. Além disso, existem produtos que, preferencialmente consumidos por um público específico, como as gestantes, por exemplo, proporcionam enormes benefícios à saúde. Comida natural? Soja banida do cardápio? Quantas questões não é mesmo? Quem ajuda a esclarecê-las é Fátima Queiroz, farmacêutica química, especialista em indústria farmacêutica e empresária do ramo de alimentação natural em Fortaleza.
Entevista completa do DN
Como conheceu a alimentação natural?
Em torno de 1972, por conta do excesso de peso, comecei a fazer ioga e depois conheci a alimentação macrobiótica. Nunca segui os ensinamentos rígidos da macrobiótica, mas foi a partir dela que iniciei na alimentação natural. Desde o ano 2000 também faço parte de um grupo de estudos, na Faculdade de Medicina, coordenado pelo médico ortomolecular Dary Alves Oliveira. Abordamos qualquer tipo de assunto do interesse para saúde e qualidade de vida. Um dos focos sempre presente no nosso estudo é a alimentação natural.
E o trabalho com esse tipo de produto, quando começou?
Comecei em casa fazendo o pão integral, comendo arroz integral (o que nunca deixei) e comecei a fazer receitas substituindo a farinha branca pela farinha integral, o açúcar branco pelo açúcar mascavo ou mel de cana ou de abelha. Uma vez na Ioga, numa festa que houve, fizeram um concurso de melhor prato e o meu ganhou; era uma empada com trigo integral e doce de coco feito com mel. Não tenho produção fixa, faço os produtos quando as pessoas os conhecem e passam a encomendá-los.
Além de não utilizar ovos, leite e manteiga, suas receitas também não usam soja. Por quê?
Utilizei a soja por muito tempo; fazia tudo com ela: bolo, tortas, manteiga, pão etc. Certo dia me apareceu uma Bursite, mesmo com alimentação natural. Foi então que no curso de formação em clínica natural, aprendi que o acúmulo de ácidos no organismo pode vir através da hereditariedade e dos elementos que compõem nossa alimentação os quais formam o sangue de todos os tecidos. Temos alimentos acidificantes e neutralizantes. Entre os alimentos acidificantes, a soja é um deles. Excluí das minhas receitas porque a nossa proposta é ter uma alimentação menos acidificante.
Então a soja deve ser banida do cardápio?
Não. O consumo sem exageros pode ser benéfico, desde que a pessoa não tenha sintomas de acidez. O tofu (queijo de soja) e o molho de soja são menos acidificantes e são saudáveis. Outro diferencial das nossas receitas é a não utilização de proteínas animais, também pelo mesmo motivo (produzem ácido úrico). É importante dizer que a acidez aumenta ainda mais quando os sistemas de eliminação não estão funcionando bem.
Você não exclue o iogurte das receitas, apesar de ser um alimento de origem animal. Por quê?
Quando ingerimos o leite, ele é alcalino; mas quando chega no estômago ele produz intensamente o ácido lático, aumentando assim, sua acidez. No caso do iogurte, o ácido já foi liberado e com o ácido do estômago ele alcaliniza; forma o que se chama uma solução tampão: não há aumento do ácido. Além disso, de acordo com pesquisas, em dois copinhos de iogurte por dia você tem o cálcio diário que necessita e a proteína equivalente a 2 bifes de carne, 2 postas de peixe ou 2 pedaços de frango.
Quem mais consome os alimentos naturais?
Quem mais consome este tipo de alimento ou que deveria consumir são as pessoas que têm dores reumáticas: artrite, artrose, lupus,etc. As dores são ocasionadas pelo excesso de ácido no organismo. O Diabético tem também o organismo ácido, embora a acidez não seja a causa da doença. Pessoas com pressão alta, pessoas obesas, e , todos aqueles que queiram ter uma vida saudável.
E em relação às grávidas. Que alimentos naturais elas devem consumir para evitar a prisão de ventre nos bebês?
A mãe deve ingerir principalmente, verduras, frutas e fibras como: farelo de trigo, farelo de arroz, farelo de aveia, germe de trigo e linhaça, ricos em vitaminas A e E. Quando a criança é gerada, o desenvolvimento dela vai depender muito da alimentação da mãe. Após o nascimento, se a criança está se alimentando com o leite materno, a mãe tem que procurar ter uma alimentação saudável para evitar eventuais problemas, tais como a prisão de ventre, entre outros.
E quais devem ser evitados?
Açúcar refinado, farinha de trigo refinada, em pão, bolos, tortas e pizzas, além, é claro, das frituras. Não há necessidade de refogar cebola e alho em óleo; pode ser colocado simplesmente na água. Importante também é dizer que o azeite, quando aquecido, é pior que qualquer outro óleo. A farinha de trigo ´cola´ o intestino, daí a sensação de que ele está preso. Quando o intestino fica preso, as toxinas entram na circulação sangüínea e terminam afetando o sistema imunológico e provocando uma série de doenças.
Em relação à alimentação dita ´tradicional´, você acredita que as comidas naturais deixam a desejar?
No que diz respeito aos valores nutricionais, não existe a falta das proteínas animais nos produtos naturais. Já falei do iogurte e dos benefícios. As frutas e as verduras são ricas em nutrientes; o feijão e o arroz formam uma proteína completa. O aminoácido que falta no arroz tem no feijão e vice-versa. O pior de tudo é o consumo de alimentos refinados como açúcar, farinha de trigo e o sal que são considerados alimentos imunodepressores e bastante acidificantes, pois entram no organismo e retiram substâncias nutritivas.
Pelo fato de serem bastante saudáveis e nutritivos, os produtos naturais vêm conquistando cada vez mais espaço na mesa dos brasileiros.


Proveitosas informações, Obrigada.
Sucesso neste seu projeto.
abraços
Socorro
otimo
eu estava fazendo uma pesquisa sobre alimentaçao saudavel e essa foi amelhor opçao que encontrei.boa sorte que Deus abençoi vcs.